Pesquisa aponta liderança de Maria do Carmo na disputa pelo Governo do Amazonas

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Levantamento indica cenário aberto entre eleitores e manutenção da competitividade entre principais candidatos

A nova pesquisa Veritá muda o centro da narrativa eleitoral no Amazonas. Pela primeira vez nessa sequência recente de levantamentos, Maria do Carmo aparece não apenas competitiva, mas na liderança isolada da disputa pelo Governo do Estado, com 41,0% dos votos válidos, contra 34,5% de Omar Aziz, 12,7% de David Almeida e 11,8% de Roberto Cidade. No Senado, Capitão Alberto Neto mantém a dianteira, com 34,5% dos válidos, seguido por Eduardo Braga, com 25,3%, enquanto a segunda vaga continua longe de qualquer definição confortável.

O dado mais forte do levantamento é o que ele diz sobre a corrida ao governo: Maria deixou de ser “nome em ascensão” e passou a ser, neste momento, o principal fato novo da eleição amazonense. Mas a liderança dela não surge no vazio, em março, a AtlasIntel já havia mostrado empate técnico entre Maria e Omar, com a candidata do PL variando entre 41,8% e 42,8% nos cenários testados, enquanto Omar ficava entre 40,4% e 40,9%. Agora, a Veritá dá um passo além e a coloca à frente numericamente.

Foto: IA NOTICIA NA MÃO


Ao mesmo tempo, a manchete dos votos válidos esconde uma nuance importante: o eleitorado ainda está muito aberto. No dado total da pesquisa para governador, Maria tem 31,5%, Omar 26,6%, David 9,8% e Cidade 9,1%, com 14,9% de indecisos e 8,1% de brancos e nulos. E há um sinal ainda mais expressivo: 81,7% dos entrevistados disseram que ainda não têm candidato definido para governador. Isso significa que a pesquisa aponta liderança, mas não um quadro consolidado.

Se Maria sobe, David Almeida é o nome que mais perde densidade política na comparação com as rodadas anteriores. Na Iveritas/Imediato divulgada antes da virada política de Wilson Lima, David aparecia com 20,25% na disputa ao governo; agora, na Veritá, cai para 12,7% dos válidos. E o pior para ele é que a queda não vem acompanhada de alívio no principal gargalo da candidatura: a rejeição. Na Iveritas, David tinha 40,02% de rejeição; na nova Veritá, marca 40,1%. Em outras palavras, ele encolhe em voto sem reduzir resistência.

Omar Aziz, por sua vez, continua muito vivo. A nova pesquisa não o retira do jogo, nem o empurra para uma condição secundária. O que ela faz é tirá-lo da posição de protagonista inconteste. Em março, a Iveritas/Imediato o mostrava na frente, com 36,56%, contra 28,27% de Maria e 20,25% de David; a Real Time, no mesmo mês, também o colocava na liderança, com 39% e 37% nos cenários testados; e em dezembro de 2025 outro levantamento já o apontava à frente no Amazonas. A Veritá atual, portanto, não elimina Omar: ela mostra que a corrida deixou de ser uma pista única.

O personagem mais curioso do levantamento é Roberto Cidade. Ele aparece só em quarto no voto principal para o governo, com 11,8% dos válidos, mas lidera com folga a segunda intenção de voto, marcando 36,5%, e registra disparado a menor rejeição do cenário, com apenas 5,6%. O recado é claro: Cidade ainda não virou o candidato preferido do eleitor, mas é hoje o nome com maior potencial de aceitação cruzada. O problema é que esse potencial ainda não se converte em força imediata de liderança.


E há um freio extra sobre Cidade: sua vitrine institucional ainda não virou ativo eleitoral líquido. Entre os entrevistados que opinaram sobre sua administração interina, 61,8% desaprovam e 38,2% aprovam. Na avaliação qualitativa, ele soma 32,4% de regular, mas também 22,7% de ruim e 19,1% de péssimo. Isso ajuda a explicar por que sua baixa rejeição ainda não gerou explosão nas intenções de voto. O eleitor parece aceitá-lo como alternativa, mas ainda não o abraçou como favorito.

No Senado, o quadro é mais estável no topo e mais embolado na disputa real. Capitão Alberto Neto segue como o nome mais forte da rodada, com 34,5% dos votos válidos no primeiro voto estimulado, e impressiona ainda mais na espontânea: entre os que citaram algum nome, ele alcança 59,9%. Eduardo Braga aparece como segundo nome mais forte, com 25,3% dos válidos, e a consolidação dos dois votos mostra Alberto com 38,2% dos casos e Braga com 31,0%. Isso reforça a leitura de que Alberto hoje tem cara de favorito consistente para uma das duas cadeiras.

A segunda vaga, no entanto, continua em aberto. A própria Veritá mostra que, no segundo voto, Plínio Valério lidera com 23,1%, seguido por Marcelo Ramos, com 16,9%, enquanto Alberto e Braga aparecem praticamente empatados nesse recorte, com 15,8% e 15,5%. A Iveritas/Imediato já havia indicado algo parecido: Alberto liderava o primeiro voto, Braga vinha no pelotão de frente e Plínio surgia muito forte na segunda escolha, com 23,02%. Ou seja, o novo levantamento confirma uma tendência: há um favorito mais claro para a primeira cadeira e uma guerra aberta pela segunda.

A presença de Wilson Lima também merece leitura cuidadosa. Após renunciar ao governo e entrar no radar do Senado, ele aparece com 9,9% dos válidos no primeiro voto estimulado e com 16,4% na consolidação dos dois votos. Não é desempenho desprezível, mas tampouco configura, por enquanto, uma entrada devastadora no tabuleiro. O ex-governador entra competitivo, porém ainda distante do bloco principal formado por Alberto e Braga.


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